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RELATÓRIO&CONTAS 2019 Relatório de Sustentabilidade 2019

MENSAGEM DO CHAIRMAN E CEO

Senhores Acionistas,

No ano de 2019 a The Navigator Company reforçou o seu compromisso com a sustentabilidade empresarial, social e ambiental, como sendo um dos valores mais relevantes do seu modelo de negócio.

Na verdade, a sustentabilidade está no ADN da Navigator, materializando-se nas mais diversas áreas da sua atividade, com destaque para a gestão sustentável dos cerca de 109 000 hectares de floresta que gere diretamente, no grande investimento que faz no ambiente, na investigação e desenvolvimento, no desenvolvimento profissional das suas pessoas e no compromisso constante que tem com as comunidades locais.

Operamos num setor, o da bioeconomia, que é, por definição e, também, pelos esforços e investimentos recorrentes que fazemos na área ambiental, um modelo de negócio ambientalmente integrado e sustentável:

•          A nossa matéria-prima, a floresta, é renovável, sendo também a principal fonte terrestre de fixação de CO2.

•          O nosso produto final é, no essencial, biodegradável, reciclado em cerca de 80%, em ciclos sucessivos, e valorizado energeticamente no fim dos mesmos.

•          Valorizamos cerca de 80% dos nossos resíduos mediante valorização energética, compostagem e incorporação em produtos de maior valor.

•          Devolvemos ao ambiente, após tratamento de acordo com os mais exigentes parâmetros de controlo, mais de 80% da água que usamos.

É neste enquadramento, e na sequência do desiderato que a Navigator tem desde há muito com a sustentabilidade, que o ano de 2019 fica marcado pelo compromisso em conseguir a neutralidade carbónica nas suas instalações fabris já em 2035, antecipando em 15 anos o objetivo já assumido pela União Europeia e por Portugal. Demonstramos assim, inequivocamente, o nosso empenho em ir mais longe e em nos adiantarmos aos mais exigentes.

Para o efeito, temos os objetivos de produzir a totalidade da nossa energia elétrica a partir de fontes renováveis, de reduzir as emissões de CO2 fóssil noutros processos produtivos através da substituição de combustíveis fósseis por biomassa, de reduzir em 15% o consumo específico de energia até 2025 e de realizar o offset de emissões não passíveis de eliminar, através do aumento da produtividade das áreas de eucalipto, da plantação de floresta autóctone e dos produtos florestais produzidos.

No que respeita ao comportamento económico e financeiro da Companhia, o exercício de 2019 ficou ainda caracterizado por um enquadramento de mercado adverso, com uma forte quebra dos preços da pasta e quebra da procura, tanto da pasta como do papel, bem como com um agravamento dos custos variáveis de produção, designadamente devido a aumentos de preços da madeira, energia e produtos químicos.

A somar a estas condições de mercado, 2019 também foi um ano caracterizado por dificuldades operacionais que se fizeram sentir nos nossos sites industriais e por alguma instabilidade social, que gerou paragens devido a greves que ocorreram ao longo do ano em Setúbal, Figueira da Foz e Vila Velha de Ródão, o que levou a que os volumes de produção não tivessem atingido os níveis alcançados em anos anteriores.

Estas dificuldades, tanto externas como internas, levaram a que os resultados da Companhia tivessem ficado abaixo do ano anterior, com um EBITDA de € 372 M, ou seja, cerca de 18% abaixo do que se conseguiu em 2018, e uma margem EBITDA/vendas de 22%.

Não obstante, e adoptando uma perspetiva setorial, deve reconhecer-se que estes resultados são bastante robustos face às circunstâncias e ao comportamento das nossas congéneres, demonstrando, mais uma vez, a grande qualidade das nossas equipas e a resiliência do nosso modelo de negócio integrado de pasta e de papel.

Assim, no negócio da pasta a Navigator conseguiu incrementar o volume de vendas em mais de 10%, compensando parcialmente o efeito da queda acentuada dos preços, com um volume de negócios de cerca de 165 M €, perto de 1,2% abaixo do verificado em 2018.

No negócio do papel UWF, os volumes de vendas ficaram cerca de 4,4% abaixo dos de 2018, como reflexo dos menores volumes de produção, mas os preços do papel demonstraram uma grande resiliência, tendo o índice de referência A4 B-copy registado um valor médio de 903 €/ton, 3,4% acima do valor médio de 2018; isto apesar da pressão que se fez sentir sobre os preços, com especial realce para o último trimestre. O desempenho da Companhia reflete a estratégia prosseguida em proteger a margem na Europa e nos EUA, regiões onde registamos a maior parte das nossas vendas, e de algum redirecionamento de volumes para outras geografias com situação de mercado ocasionalmente mais favorável.

No que concerne ao negócio do tissue, o volume produzido e vendido teve um significativo aumento de 52%, atingindo 95,7 mil toneladas, em resultado do arranque da nova fábrica de Aveiro. O volume de vendas situou-se nos 132 M €, com um crescimento de 45% face a 2018. Tanto os produtos acabados como as bobines registaram aumentos de preços relativamente a 2018, o que permitiu compensar o aumento de custos. O crescimento acelerado do negócio de bobines, resultante da entrada em funcionamento da nova fábrica de tissue, alterou o mix de produtos vendidos, impactando o preço médio de venda do Grupo, situação que será atenuada com a consolidação da atividade da fábrica de Aveiro.

A linha de resultados robustos permitiu também manter uma remuneração acionista muito atrativa. Assim, em 24 de abril de 2019, a The Navigator Company procedeu à distribuição de dividendos num montante de € 200 milhões, traduzindo-se no equivalente a um valor bruto de 0,27943€/ação. Adicionalmente, ao longo do ano foram feitas diversas compras de ações próprias, num total de 5,452 milhões de ações, num sinal claro de confiança no título, o que representou um investimento de cerca de € 18 milhões.

2019 foi também um ano em que se verificaram alterações relevantes no Governo da Sociedade, com a eleição do Conselho de Administração para um novo mandato, da qual resultou, também, a substituição do Presidente Executivo da Companhia. Este processo implicou uma transição na qual tive a oportunidade de acumular as funções de Presidente do Conselho de Administração com as de CEO interino, experiência que me permitiu conhecer melhor o enorme valor e competências das pessoas da Companhia, que são, sem margem para dúvidas, o seu principal ativo.

É essa a razão pela qual a Comissão Executiva, à qual tive a honra de presidir, ao definir aqueles que irão ser os pilares fundamentais da sua atuação no novo mandato, assumiu como prioritária a continuação da aposta nas pessoas como ativo-chave para o futuro, fazendo uma especial menção ao reforço de uma cultura de diferenciação pelo mérito, ao desenvolvimento e formação técnica, operacional e de liderança, ao desenvolvimento do potencial dos seus Colaboradores, continuando uma política de rejuvenescimento com a preocupação de que não haja perda de conhecimento.

Em conjugação e a par com este pilar de atuação, também são definidas como linhas orientadoras fundamentais as seguintes:

•          A proteção e desenvolvimento do negócio “core” da Companhia. O desempenho da Companhia terá como especial referência uma grande preocupação com a excelência do processo produtivo, com a qualidade dos seus produtos e com a eficiência global da Empresa.

O reforço da produtividade e sustentabilidade da floresta e da excelência comercial na gestão das nossas margens e vendas são outros dos objetivos-chave para o mandato neste capítulo.

•          A consolidação e desenvolvimento de opções para o crescimento orgânico da Companhia, procurando desenvolver ainda mais o negócio do tissue como uma opção de crescimento natural, e, também, avaliando outras possibilidades de crescimento relacionadas com os negócios principais.

•          O reforço da nossa agenda na sustentabilidade, definindo e implementando objetivos que compatibilizem o retorno acionista com o impacto social da atividade desenvolvida; procurem a sustentabilidade como fonte de vantagem competitiva alinhada com o nosso negócio; protegendo a floresta e a biodiversidade e promovendo o papel da floresta no combate às mudanças climáticas e na criação de riqueza para as comunidades locais; prosseguindo o nosso objetivo em atingir a neutralidade carbónica nos nossos complexos industriais em 2035.

Terminado que está este período em que acumulei as funções de Chairman com as de Presidente Executivo, funções estas que foram agora cometidas ao Sr. Eng.º António Redondo, quadro desta Companhia desde 1987 e profundo conhecedor da sua atividade e negócios por ter passado por diversas áreas operacionais e, também, por já ser Administrador Executivo desde 2007, resta-me desejar-lhe a ele, a toda a gestão executiva e a todos os Colaboradores da Companhia os melhores êxitos pessoais e profissionais. Estou certo de que terão todas as aptidões, competência e empenhamento em conseguir o desempenho operacional de excelência que, agora com mais conhecimento de causa, sei serem capazes.

A todos os stakeholders em geral, e aos nossos acionistas em particular, o nosso agradecimento por continuarem a apostar de forma decisiva na Navigator.

Lisboa, 19 de fevereiro de 2020

 

João Castello Branco

Presidente do Conselho de Administração

Presidente da Comissão Executiva até 31 de dezembro de 2019

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