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Mensagem do Presidente do CA

Mensagem do Presidente do Conselho de Administração

Senhores Acionistas,

No exercício de 2017, The Navigator Company atingiu, uma vez mais, resultados muito favoráveis, a despeito das persistentes debilidades e incertezas do ambiente económico nacional e internacional. O nosso setor de atividade não foi imune a este clima difícil, que se refletiu principalmente na descida dos preços da pasta e do papel, de bastante maior amplitude no caso da pasta, para o que concorreram igualmente os aumentos de capacidade concluídos neste ano.

A capacidade da Companhia para manter níveis elevados de rendibilidade atesta a robustez do seu modelo de negócio e, de igual modo, a competência, empenho e motivação da sua equipa de gestão, assim como dos seus colaboradores de todos os níveis e áreas, responsáveis pela elevada eficiência e desempenho ao longo da complexa cadeia de formação de valor.

Quero, por isso, deixar-­lhes aqui a expressão do meu apreço, assim como uma forte palavra de incentivo para podermos continuar a ultrapassar com êxito os desafios que permanentemente se nos colocam.

Verifico com agrado o reforço da capacidade produtiva da Companhia e o alargamento da sua atividade, em termos geográficos e de segmentos de negócio, o qual se vem concretizando com toda a normalidade, numa natural extensão das competências anteriormente desenvolvidas. São disto exemplos, designadamente, o início da produção de pellets nos Estados Unidos e o crescimento do negócio do Tissue.

Numa altura em que muitos países desenvolvidos começam a despertar para os efeitos perniciosos da desindustrialização e em que a nível nacional se assiste à implementação de medidas ostensivamente contra o nosso setor, a The Navigator Company continua a investir, recebendo, por isso, o reconhecimento generalizado. Este reconhecimento resulta não apenas do crescimento que tem mantido e das posições de liderança que tem alcançado, mas também da forma resiliente, equilibrada e sustentável como tem persistido na sua política de investimentos.

Somos uma Empresa socialmente responsável, que gosta de prestar contas da sua atividade à sociedade, como, de maneira ampla e sistematizada, o seu Relatório de Sustentabilidade, publicado bienalmente, reflete. Temos, também por isso, uma política de abertura à comunidade, sendo as nossas plantações, viveiros e fábricas visitados anualmente por vários milhares de pessoas. Merecem especial ênfase as muitas visitas de alunos de todos os graus de ensino, que constituem verdadeiras aulas práticas de iniciação ao mundo da economia real.

Uma parte importante dos investimentos é destinada ao cumprimento escrupuloso dos parâmetros ambientais, sempre mais exigentes. Uma atenção particular é dada à segurança das pessoas e instalações, ao uso eficiente da água e dos produtos químicos, à redução das emissões de carbono, à redução da intensidade energética das operações.

No desenvolvimento das suas atividades de investigação e desenvolvimento, a Companhia tem uma intensa cooperação com os centros formais de produção de conhecimento, como as universidades, institutos politécnicos e centros tecnológicos, numa relação mutuamente vantajosa.

As relações de proximidade que procuramos desenvolver com os nossos fornecedores, grande parte dos quais são empresas de pequena e média dimensão, têm permitido a melhoria das suas competências técnicas e de gestão, assim como assegurar­lhes um horizonte previsível para a programação das suas atividades.

Entre os fornecedores têm lugar de relevo muitas dezenas de milhar de produtores florestais e de prestadores de serviços ligados à exploração florestal e ao transporte de madeira. Com estes produtores, e com muitas das suas associações, existe uma intensa história de colaboração, orientada para a superação de alguns dos problemas mais sérios que afetam a floresta nacional: práticas de silvicultura deficientes, doenças fitossanitárias, plantas pouco adequadas às condições edafo­climáticas, incêndios, falta de certificação.

Esta colaboração, realizada de forma direta e em cooperação com outras entidades, tem permitido que a fileira florestal do eucalipto tenha em Portugal uma vitalidade que outros setores ganhariam em replicar, introduzindo uma dinâmica concorrencial que fomentaria a modernização de todo o setor florestal.

É o que eu esperaria que se verificasse, e o que seria vantajoso que acontecesse. Em vez de medidas positivas, porém, anunciam­se barreiras e obstáculos à plantação e replantação de eucalipto, que é discriminado em relação a outras fileiras florestais, sem qualquer justificação económica ou ambiental e com a consequência, imediata e a prazo, de um ainda maior abandono de propriedades rurais em Portugal.

Haverá, como é óbvio, o agravamento do já muito oneroso peso das importações de matéria­prima para a indústria de pasta de eucalipto. Perdem as empresas deste setor, que veem agravada a sua competitividade externa, e perde o País, sob a forma de escoamento de divisas e de destruição de postos de trabalho.

Devo reconhecer que esta perspetiva me provoca algum desencanto, por me obrigar a concluir que, em vez de se melhorar os nossos fatores endógenos de competitividade, se torna cada vez mais difícil a vida das empresas produtivas e mais arriscados os investimentos. Quando, um pouco por todo o lado, renascem, sob formas mais ou menos encapotadas, barreiras protecionistas, bem se dispensava este levantar artificial de obstáculos internos. Decididamente, não parece ser este o caminho para evitar a desindustrialização.

Estou seguro que, apesar de todas as dificuldades, a nossa Empresa continuará a encontrar os caminhos certos para o seu desenvolvimento equilibrado, continuando também, através de relações transparentes com os seus clientes, fornecedores, autoridades, acionistas e restantes stakeholders, a reforçar a sua reputação no setor, que constitui um dos seus ativos mais valiosos.